Este texto é para nós, mulheres, seres humanos, femininas, e não máquinas

“Quando olhei esta imagem, vi-me lá: debaixo do chuveiro, em meu cantinho, sozinha, deixando cair as gotas de água na minha cara enquanto chorava em silêncio depois de um dia estressante de trabalho – casa, filhos, marido, chefe… homens que não assumem os filhos …. cobranças e mais cobranças.

Cheia de cansaço, mas precisando mostrar a todos que era uma fortaleza e, no meu cantinho, simplesmente desabava. Quantas vezes estive nessa situação, sem ter a quem recorrer, sozinha, me sentindo perdida.


Cansa o corpo, cansa a mente, cansa a alma. Sentir que tudo te machuca ao mesmo tempo.


A mente cansada já não se lembra de rotinas nada importantes. Esquece onde está a chave de casa, esquece de pagar uma conta importantes mesmo as mais simples, esquece a senha do cartão. Grita, lá dentro, que precisa precisa de ajuda, que não é uma máquina.


Acorda já cansada, sem ritmo, sem ânimo. Mas levanta, coloca a sua armadura e, mesmo ferida e cansada, se obriga a ser forte, a ser a mulher corajosa.

Ser forte não é vantajoso, é necessário para a sobrevivência, domamos um leão por dia e continuamos a sorrir. 


Mas quando estamos a sós, derramam as lágrimas, choramos, não para fora, choramos para dentro, e não porque nos falta coragem, é pelo excesso dela, que nos obriga a parecer impenetráveis ( Fortaleza aparente).


Choramos para aliviar a dor da alma, choramos porque, a sós, podemos ver as nossas feridas, lambê-las e curá-las, choramos com nós mesmas para sermos mais fortes.

“Seja forte e corajosa” já me diziam desde cedo, pena que não avisaram o quanto forte que era necessário ser.


Não te envergonhes por te afundar de vez em quando, não te sintas incapaz de chorar pelo cansaço dos teus dias, não tenhas vergonha de limpar as tuas feridas quando elas ficam doentes.


Nós mulheres sabemos o quão importante é chorar para manter a sanidade.

E não se preocupe, nem tenha vergonha, pois te asseguro que em outras casas também existe uma mulher como nós, que está no chuveiro tapando a boca e chorando em silêncio deixando a água levar suas dores…

Texto: Euza Beloti

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Emília Araújo – jornalista