Alan Castel é professor do departamento de psicologia da Universidade da Califórnia (UCLA)

“A solidão crônica vem roubando a saúde e anos de vida dos idosos”, afirmou o psicólogo Alan Castel, professor do departamento de psicologia da Universidade da Califórnia – Los Angeles (UCLA), que lançou em novembro passado o livro “Better with age: the psychology of sucessful aging” (“Melhorando com a idade: a psicologia do envelhecimento bem-sucedido”). Ele é coordenador do laboratório de memória e cognição da universidade da UCLA.

Para o psicólogo, é preciso ficar conectado, não com a internet, mas com gente. Além das conexões sociais, é preciso praticar atividade física e ter objetivos na vida. “Criar metas a serem alcançados produz um efeito rejuvenescedor: é importante que sejam objetivos específicos”.

O psicólogo aborda em seu livro diversos estudos científicos para ilustrar os fatos. Ele cita, por exemplo, a pesquisa realizada com idosos entre 75 e 85 anos que se mostraram protegidos do declínio cognitivo pelo simples fato de gostarem de ler, tocar um instrumento ou dançar.

O professor utilizou ainda como fonte, a pesquisa da Universidade de Havard, de 1979, em que idosos com idades variando entre 70 e 80 anos foram levados para um motel que teve todos os seus ambientes adaptados como se o ano fosse 1959. Até a música tocada era a de duas décadas atrás.

 Depois de uma semana no local, os homens que eram dependentes de cuidados familiares apresentavam melhora relevante em testes que avaliavam audição, memória e força. “Ou seja, há um componente psicológico que nos torna mais velhos, quando ainda temos energia dentro de nós”, observou.

Revigorar

O que fazer então para que o corpo e a mente se mantenham revigorados? Além do convívio social e dos projetos de vida, é essencial também praticar atividade física, segundo afirmou Alan Castel. Ele cita estudo realizado em 2011 com dois grupos de idosos: um andava 40 minutos, três vezes por semana; o outro fazia alongamento com a mesma frequência.

Depois de seis meses, foi feito testes de memória e cognição: o grupo que andava superava em relação ao que apenas se alongava.

 Um ano depois, o grupo que caminhava apresentava um aumento de 2% no volume do seu hipocampo, região do cérebro associada à memória. Dormir, ainda segundo ele, é igualmente importante, já que estudos mostram uma conexão entre insônia e o desenvolvimento de demências.

Por fim, o psicólogo destaca que há muitos estereótipos negativos envolvendo a velhice. Ele diz que estuda o envelhecimento há duas décadas e já presenciou um número significativo de exemplos impressionantes.

“Enquanto alguns livros focam em como evitar ou postergar o envelhecimento, o que proponho é como é possível aproveitar os benefícios que a idade pode proporciona”, concluiu.

 

Fonte: G1

Edição: Blog de Ponta Cabeça

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