1. Por: Edson Luís da Silva *

Um olhar mais cuidadoso e, sem muito esforço, concluímos que se estamos vivos, é por conta, precipuamente, dos cuidados de muitos outros seres.

“De todas as criaturas que respiram e se movem sobre a terra, nada é criado mais fraco que o homem”! (Homero)

Nós, enquanto bebês, não conseguimos nem levantar a cabeça sozinhos até os dois meses de idade, geralmente damos os primeiros passos após um ano. Os seres humanos são os mais dependentes ao nascer. Quem cuida de nós até termos condições de nos mantermos sozinhos?

Podemos assegurar que inúmeros seres investiram recursos, energia, tempo, cuidados para que chegássemos onde estamos. Não apenas os nossos pais, mas médicos, enfermeiros, professores, tios, tias, avós, vizinhos, madrinhas, padrinhos assim como outros seres de quem nem nos lembramos.

De onde surgiram todos esses seres nos cercando de cuidados de modo que nos foi possível ler este artigo agora?

Por que todos esses seres envidaram esforços e recursos para nos manter?

Embora vivamos numa sociedade que acha que dinheiro é o que move tudo, podemos afirmar que não foi dinheiro que motivou todos esses seres a cuidarem de nós. Podemos afirmar que esses seres nos mantiveram por existir algum grau de amor por nós, algum grau de cuidado. Um bebê não tem como pagar financeiramente seus pais, avós, tios, tias, por exemplo. Existe uma energia que nos mantém e nos nutre em cuidados.

Sobrevivemos graças à interdependência, ou seja, somos dependentes uns dos outros. E não apenas de outros seres humanos, pois, a vida seria impossível sem os vegetais, sem os minerais, sem os animais.

A vida seria impossível sem a natureza com suas florestas, rios, mares, biodiversidades e seus ecossistemas. Entretanto, como temos nos relacionado com a natureza? É possível que ainda não a enxerguemos como parte fundamental da sustentação da nossa vida no planeta pois continuamos destruindo florestas, ecossistemas, poluindo rios e mares.

Reconhecer esses pontos não é tão usual quanto óbvio. Normalmente as pessoas se ocupam daquilo que lhes falta ou incomoda. Reconhecer esses pontos é abrir-se à gratidão.

A partir de gratidão, ampliamos a nossa noção de cuidados e, consequentemente, as atitudes correspondentes.

Podemos iniciar substituindo uma mente que reclama por uma mente que agradece. Por exemplo, ao invés de chegarmos aos lugares nos perguntando o que podemos conseguir, obter ali, podemos nos perguntar: o que temos para oferecer?

Essa mudança de perspectiva muda a forma de olhar, muda a percepção.

 

*Edson Luís da Silva – formado em História, psicopedagogia, psicólogo em formação e aspirante a praticante budista.